Publicado por amizadepoesia em Abril 10, 2007
Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança.
Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos.
Carlos Drummond de Andrade
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Publicado por amizadepoesia em Abril 10, 2007
Na contramão da minha história
faço estória. Acrescento luz,
crio fatos vou no rastro,
fantasia de deus visto
no delírio me recrio
sou um, dois, sou mil
sem essência logo à frente
me desfaço, refaço.
Na realidade letal para o sonho,
meu eu mesmo exagerado,
marcante e opulento
se impõe, me expõe e me desnuda,
é produto de strep-tease lento
cadente, malemolente
que eu mesma faço.
Tento me ignorar mas desabo…
elisasantos
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Publicado por amizadepoesia em Abril 10, 2007
Chegou o Outono,
escuto no vento
as folhas secas baterem na janela
e lembro do tom, ainda verde,
sombreando meus sonhos,
presos aos galhos do tempo,
pulsando o som do amor,
sob o calor do verão passado,
encantando a Primavera,
que voltará a colorir a vida
depois do longo inverno,
que congela a saudade.
O Outono, atrelado ao amor,
vence o tempo, em delírios,
com o sabor do fruto maduro,
semeando em todas as estações
a semente da verdade,
que se despe de todos os preconceitos,
afirmando que a beleza da vida
renasce verde,
multiplicando a sabedoria
infinda do eterno amor.
Schyrlei Pinheiro
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Publicado por amizadepoesia em Abril 10, 2007
Os poemas não são deuses
que eu tenha de adorar
por isso não digo nada
dou às letras liberdade
comecei a escrever
sem saber como acabava
pois as palavras caíam
como lágrimas choradas
e quase a chegar ao fim
com grande surpresa minha
elas lá se entenderam
e numa dança anarquista
as letras e as palavras
de poema se vestiram
joaquim evónio
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Publicado por amizadepoesia em Abril 10, 2007
No místico mar… em pleno vento…
Apaixonadamente… deixo-me ficar…
Olhando as ondas… e suas espumas…
Sentindo tua mão… minha mão afagar…
Sei que é fantasia… loucura… miragem…
Mas teus lindos olhos… nos meus… estão…
Teus lábios sôfregos… vorazes… beijam-me
Com ardor… sufocando minha respiração…
Dispara-me o coração… ouço nele… a tua voz…
– Amada minha… mulher minha… estou aqui!
De onde… eu jamais deveria pensar em sair!
A emoção me toma… sacode-me em frenesi…
É o vento amado meu. É o vento amigo
Trazendo-te para mim… novamente…
Para nunca mais… choramos de saudade…
Ele nos quer juntos… juntos para sempre!
Meu corpo estremece ao teu contato…
Entrega-se ao teu abraço apertado…
Rodopiamos na terna e linda loucura.
Como antes… como foi no passado…
Até que enfim meu amor… estamos aqui…
Nós dois… o vento… o mar… as estrelas…
É a vida que nos brinda… e sorri outra vez…
Sangue pulsando freneticamente nas veias!…
Tento esquecer do meu longo calvário…
Desperto dos meus sonhos… tolos… sem fim…
Enxugo as lágrimas que teimam em cair…
E vejo-te. – É verdade! – Voltaste pra mim!…
Mary Trujillo
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