Ah, minhas amantes!
Mulheres que me ensinaram
desde a cama, além carne,
a alma que me limparam!
Desde o beijo,
que fosse um simples no rosto,
um sorriso que seja,
me traziam o perfume das flores no vento de agosto…
Minhas amantes…
Que tivesse alguma o rosto triste esculpido,
ainda assim, eram lindas e fortes.
Tinham minhas amantes fé em seus sonhos,
mulheres de Deus, o marido!
Ainda que alguma fosse mais vaidosa…
Trazia ainda a pureza menina nos
sonhos peregrinos.
Cobria os cabelos com flores,
colhidas nas encostas dos caminhos!
Que fosse alguma mais misteriosa,
guardando segredo nos olhos,
outras, carentes e dengosas…
acolhiam-me quando de meu vôo solo!
Minhas amantes!
Houvesse alguma com certa amargura e
negaram-lhe o amor nos vividos anos,
ainda assim guardavam ternura
na lida comum de seus cotidianos!
Traziam-me, elas, beijos e cheiros,
carinhos e palavras…
O corpo que não mentia!
O amor louco que me entregavam.
Traziam-me que fosse, algumas,
o pranto e até fizessem meu ombro
de aconchego…
Eram lindas!
Outras, não importa, no coração
uma réstia de medo…
Por minha vez, recebia abraços sinceros!
Confidências nos ouvidos…
De mim todas as carências
do meu corpo e alma,
todos os desejos cumpridos!
Que tivesse, alguma, no ventre,
um filho que meu não fora,
ainda assim cantava em sua barriga,
entre beijos, o brindar de uma nova vida,
cheia de alegria,
ao ser que ainda não nascera!
Em contrapartida, não deixei
ressentimentos, quando saí de suas vidas.
Talvez, no vento, o lamento,
a representar minhas lágrimas vertidas.
Deixei um pouco de mim em cada uma delas.
O aprendizado nos fora fonte de abrigo.
Que fosse passageiro, cada encontro…
Em mim, levei um pouco delas, comigo!
José Geraldo Martinez