Arquivos para Março 4th, 2008
Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Não há pior que um alcoólico bater na mulher
e vir dizer, na sua ignóbil condição, que é isso que ela quer.
Toda a mulher é perfeita e merece respeito,
mal de quem assim a não vê e lhe causa aí desrespeito.
Todas, sem excepção, trabalham fora e em casa,
o mínimo que podemos fazer é elogiá-las, como quem passa.
A mulher traz seriedade ao trabalho e muito amor,
por isso, quando passar por uma, peça-lhe licença, por favor…
Qualquer mulher merece, do homem, gratidão,
ao invés de ser tratada, muitas das vezes, abaixo de cão.
A mulher educa os filhos como ninguém,
se a vir ralhar com um petiz, isso é só recado de mãe.
Outra coisa é fazerem da mulher objecto sexual,
já passou pela cabeça de alguém, que isso é a raiz de todo o mal.
Mulher, mãe, confidente e amiga,
se eu fosse poeta de verdade cantar-te-ia uma cantiga.
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Com estas tuas vestes escuras,
parece-nos que estás sem meia!
Nós te amamos há Eras,
especialmente nas cheias!
Eme Paiva
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Senhora, meu sono, tem sido mal dormido
pese paredes e janelas, sejam as mesmas.
que dou-me ao abandono, só e tão sofrido
entre canetas, lápis, livros, folhas e resmas.
Dime senhora quando virá o desaparecido
definidos que estão novíssimos teoremas.
nem sempre o que queremos é o atingido.
e foge de mim todos e quaisquer esquemas.
A noite vem devagar em todo o seu cinismo
que eu relembro-te entre flores, carmesins.
e trago em mi bem silente todo o altruísmo
co que me incutistes, longe levar os demais.
Ah, quem dera oferecer-te todos os jardins
toda a meiguice, todo o perdão dos animais.
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Tanta mágoa por ti meu amor,
de receber e dar-te meu calor,
da companhia junto da poesia,
de conversarmos, pura magia.
Tão sofrida tem sido esta dor,
que eu grito bem alto clamor,
e grito, peço que venha o dia,
em que juntos, na companhia
um do outro, douta saudade,
seja vã, rumemos à liberdade
de mãos dadas, para sempre.
E eis-me aqui sozinho um dia
mais; esperando a alquimia,
que traga até mim a ausente.
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Levei a vida, entre tristezas, fome e doenças,
nada me aprazia nem ninguém supor queria,
que aos vinte e sete anos as convalescenças,
eram fúteis, sem sentido, quem viver queria.
Com quarenta e dois quilos de peso, que era
eu senão um joguete nas mãos de bastardos?
e foi sempre assim a minha vida era após era
comer não podia co meus dentes arruinados.
A cada injecção o sangue coagulava, chorava
eu, por esta vida maldita, que destruíra tudo
o que é graça e beleza, num homem; faltava,
Porém, muitos e muitos anos ainda, desgraça
convertida em soros e comas, em vil resumo:
que a gema tocasse minh’alma, em sua graça.
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Já não há heróis, tudo é ambíguo e sem sentido
que pensar em lutas, tornou-se caricato e inútil,
mas inúteis somos nós fantasmas do pervertido
omitimos o nosso passado, como se fora aí fútil.
Onde estão as grandes concentrações de gente
fazendo malabarismos, cantando odes ao povo
os estádios cheios, onde, o actor está presente
dando de si, e mais que tivesse, pelo mais novo.
Ó tristeza, pelo que ficou! Pelo que restou aqui
de nós mesmos, rendidos ao vil metal, cobarde
e vil, que nos fez omissos, e sem sentido, assim.
Caberá aos poetas de hoje, reavivar a memória
desses momentos passados sem grande alarde
mas co muita vontade de voltar a fazer história.
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Há algo de fascinante num deserto.
Como cão abandonado sem dono
é lá que buscamos uma trindade,
que fique ante nós, aqui por perto.
sei que por mim eu não respondo
em todo esta fútil e vil iniquidade.
A areia do deserto, a perder de vista
é desconsolo para os mais fracos.
mas quem como eu escuta do corvo
o grito, só pode ser alquimista,
com velhos testamentos e tratos,
que nunca beneficiaram o povo.
Cogumelos, chás e alucinações,
volteiam-nos na cabeça como sapos.
O Xamã espera por nós na entrada.
enquanto o deserto cria fricções
e nos vai mostrando os raros cacos
em que, pródigos, criamos a estrada,
Que nos levará deserto adentro,
famintos e sequiosos de água pura.
Venham! Venham todos, para ver
a vossa própria morte, o unguento
que verte de vossa candura.
quem, de vós, virá aqui se submeter?
Nesta Terra abandonada por Deus,
só os mais fortes sobrevivem,
para contar o que lhes aconteceu,
enfrentando infernos, subindo aos céus,
inda que outros destes se esquivem,
aconchegados nos braços de Morfeu.
Já viram a morte ante vossos olhos?
Ela chega com luvas de pelica,
tacteando paredes e sombras,
arrastando-nos pelos escolhos
de uma laguna extremamente rica,
soltando aí as prazenteiras pombas.
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Tocam as harpas ao anoitecer,
melodias dissolvem-se no ar…
o som se mistura aos ruidos…
Rosas desabrocham em jardins,
mas o perfume se esconde…
Ouço as harpas, ao anoitecer,
numa mistura de sons pelo ar
cantos de amor, ou gemidos?
o que dizem as harpas enfim?
Se o seu tocar vem de tão longe?
O pranto, purificador da alma,
ah! quantas vezes já pranteei.
no sal das lágrimas me adocei?
meus fantasmas já exorcizei?
não sei…quem o pode dizer?
Mas as harpas tocam…ao anoitecer.
na cadência da sinfonia suave
que brota dos dedos da artista,
fagulhas de luz se desprendem,
e pequenas tochas acendem…
Para quem será essa pista?
Jorge Linhaça
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Minha casa não tem tecto nem chão
dormir, durmo num simples colchão
só porque as pedras me atrapalham
parecendo-se facas que anavalham
Lá estou bem achegado, noite e dia
ao calor solene do dia tudo extravia
ao resgate do frio umas folhas secas
é tudo que basta para as tormentas
Meu relógio são as imensas estrelas
basta-me puxar um pouco pra tê-las
o mesmo faço, quando quero comer
é que aqui há escolha, para entreter
E o melhor de tudo, é que as roupas
embora, em verdade, sejam poucas
lá vão dando p’ra os dias da semana
nem tem os otários gritando: sacana
nas filas incendiárias de automóveis
Então pergunto, para quê os móveis
se, dos demais tive maior esperteza
e decidi-me vir viver com a natureza?
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Hoje eu sinto que cresci bastante
Hoje eu sinto que estou muito grande
Sinto mesmo que sou um gigante
Do tamanho de um elefante
É que hoje é meu aniversário
E quando chega meu aniversário
Eu me sinto bem maior, bem maior, bem maior, bem maior
Do que eu era antes
Paulo Tatit / Luiz Tatit
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
A mais bonita abriu a porta, sorriu pra mim
convidou-me para entrar sem pudor algum
E disse-me, para instalar-me, juntinho de si
o meu corpo cansado ainda em largo jejum
E ali estava eu, junto da mais bela das belas
o lar era confortável e aprumado, um gosto
Vinda da cozinha, disse-me, que umas velas
acendesse, para, assim, afastar o desgosto.
E ali conversamos durante bastante tempo
de vidas antigas, que deixaram suas marcas
de horas sofridas trazendo-nos o desalento
A mais bela das belas trouxe-me que beber
enquanto eu me perdia, em palavras parcas
e, mal sabia eu, ainda, que um dia, a iria ter.
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Porfiando no meu quarto, inerte e em total falta
para com o mundo, que a desgraça bate à porta,
não me deixo enganar, pela omissão que assalta
meu descanso imerecido corporizando a retorta.
O que é preciso é vir para a rua gritar diz a malta
estranhando meu ir-me e o verso preso na aorta
e mas aqui, neste mundo perdido, o que ressalta
não é folgarmos na luta mas que a palavra morta
Seja estropiada e, logo, menos valorizada na luta
que preconizamos todos os dias, de nossas vidas
Ai, contra quem, não sabe o que é uma permuta.
Pois então, que o povo se rebele, e mostre causa
de sua justiça; que todas as palavras são devidas,
sem terem sequer direito a uma merecida pausa.
Jorge Humberto
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Para espantar a “solidon”
ouça logo sem demora,
antes que ele vá embora,
os conselhos de “Don Raton”
Se andas assim desolada,
em busca de uma “paixon”
que invada o teu “coraçon”
e te acompanhe na estrada.
Chame logo o “Don Raton”
esse cara experiente,
cheio de expedientes,
para te dar “inspiraçon”.
Don Raton é bem vivido,
experiencia é seu “chavon”,
é um mestre da “iluson”
Conserta “coraçon” partido.
Ouça com muita “atençon”
os ensinamentos ditos;
resolva os seus conflitos,
no divã de “Don Raton”
Jorge Linhaça
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Voa pensamento,
asas ao vento.
Clama!
Chama!
Derrama
a tua emoção.
Segue o arco-íris,
onde tiveres de ir.
Busca!
Rebusca!
Soluça!
Que fale o coração!
Na força da mente,
lança a semente.
Positivo!
Negativo!
O motivo?
Viver a tua paixão!
A dor da ausência,
sem reticências.
Tempo urge!
Amor ressurge!
Peito ruge!
Adeus à solidão?
Ó senhora,
vem sem demora!
Deslizar!
Sonhar!
Me encontrar;
no arco-íris do amor.
Jorge Linhaça
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Publicado por amizadepoesia em Março 4, 2008
Somos os espelhos d’uma mesma paisagem,
reflexos dos mesmos desejos e anseios.
Na retina dos olhos , impressa miragem;
fotogramas batidos em mil devaneios.
O plano de fundo é sempre o mesmo,
que um dia compartilhamos contentes:
os mesmos prédios, as lembranças que temos,
a saudade a fustigar-nos inclemente.
Nossos versos, dispersos, inversos, convexos,
- Explosões luminosas da estrela do amor-
Percorrem mundos, galáxias e universos…
Cânticos d’esperança, exorcismo da dor.
Somos dois corações qu’inda pulsam perplexos,
voando nas asas, céleres, d’ um beija-flor
Jorge Linhaça
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