Sem Algemas
Publicado por anjodoce em Agosto 16, 2008
Dei liberdade para a minha poesia.
Hoje ela está sem algemas!
Sem rimas estudadas… Rebuscadas…
Para cometer supostas heresias…
Porque dorme no coração desta poeta…
Juras de amor… Nem sempre tão corretas.
Em meio à muita gente hipócrita, cheia
De misérias e vícios… Que o infeliz lar acoberta.
Alienadas e sofridas múmias mal amadas, desertas!
Mas do que fala esta irrequieta e sonhadora poeta?
Por certo, que sonhos pequenos
E sem brilho… Não são a sua meta!…
Esses… São para os que acordam
Pensando nos cifrões que devem lustrar.
Como aquele velho e conhecido pato sovina!
Juntando traças e cheirando a naftalina!
Meu sonho é maior… É grandioso!…
Quero ver gente de coração inocente pulsando!
Sem inveja, sem esse ódio nojento e criminoso!
Acreditando que um tempo melhor me espera!
Que será retirada da terra a besta fera!…
Hoje minha poesia foi alforriada de todas
As punhaladas… E das almas penadas!
Está liberta da falsidade de todo aquele
Que se diz amigo, mas que em verdade, não é nada!
Amor não precisa de documento, nem de passaporte!
Não faz barganha, nem o destrói a morte!
Dou-me o direito de estar com quem amo, para
Sorrir e viajar comigo nas madrugadas encantadas…
De com os meus amigos… Rir de toda
Essa tremenda farsa… Dessa palhaçada!
Quero ver o sol se deitando sobre a lua…
Ver a lua beijar o sol com paixão e vontade…
Ele feliz… Iluminando a humanidade!
Quero um bando de crianças barulhentas
Correndo felizes pelas ruas.
Envelhecer neste meu pertinaz ideal
De bondade! De amor! Lealdade!
Quero olhar para o céu sem medo e sem culpa,
E gritar… Pode levar-me hoje Senhor!
Estou aqui! Sou sua!
Mas que vença o amor! O ideal! A justiça!…
E o mal se acabe em fétidas cinzas!
Que essa gente boa… Possa enfim… Ter
Vez! Voz! Dignidade! Cultura e Comida!
E não tenha mais que ser…
Tão desgraçada, submissa e oprimida!
Partirei então… Na maior euforia!
Levando o meu amor e a minha poesia!
Mary Trujillo



