amizade e poesia

Alguém que faz você rir…Alguém que faz você acreditar em coisas boas…Alguém que convence você …De que existe uma porta destrancada…Só esperando para que você abra. Esta é a Amizade Para Sempre.

Espero curar-me de ti

Posted by amizadepoesia em Setembro 21, 2007

Espero curar-me de ti em alguns dias. Devo deixar de
                  fumar-te, de beber-te, de pensar-te. É     possivel.
                  Seguindo as prescrições da moral em voga. Me
                  receito: tempo, abstinencia, solidão.

                  Te parece bem que nao te queira mais em uma semana?
                  Não é muito, nem é pouco, é bastante
                  Em uma semana se
                  pode reunir todas palavras de amor que já foram pronunciadas sobre a terra e as pode queimar no fogo.
                   Vou queima-las nessa fogueira de
                  amor carbonizado.
                  E também o silencio.
                   Porque as melhores
                  palavras de amor estão entre duas
                  pessoas que não se dizem nada.

                  Há de se queimar também essa linguagem paralela e
                  subversiva daquele que ama. (Tu sabes como te digo que te
                  quero quando falo: “que calor faz”, “da-me agua”,
                  “sabes dominar?”, “se te fiz de noite”…
                  Entre as
                  pessoas, de um lado as suas e de outro as minhas, te
                  falava  “ja é tarde”, e voce sabia que
                   dizia “te quero”.)

                  Uma semana mais para reunir todo o amor do tempo.
                  Para dar-lhe. Para que fazer com ele o que queiras:
                  guardar-lo, acaricia-lo, joga-lo ao lixo.
                   Não serve,
                  é certo. Somente quero uma semana para entender as coisas.
                  Porque isto é muito semelhante a estar saindo de
                  un manicomio para entrar em um mausoleu.

                  =====
                  “Me falaram da marijuana, da heroína, dos fungos, da cocaina. Por meio das drogas chegava a Deus, se tornava perfeito, desaparecía. Mas eu prefiro meus velhos alucinantes: a solidão, o amor, a morte.”
                   
                    (c) Jaime Sabines.

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