amizade e poesia

Alguém que faz você rir…Alguém que faz você acreditar em coisas boas…Alguém que convence você …De que existe uma porta destrancada…Só esperando para que você abra. Esta é a Amizade Para Sempre.

Archive for Fevereiro, 2011

A palavra da inocência

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Quase sempre acreditamos que as crianças não entendem o que acontece ao seu redor. Tomamos decisões, inclusive a respeito de suas próprias vidas, sem nos importar com seus sentimentos.

Assim acontece nas separações conjugais, em que se decide com quem ficarão os filhos. Assim é quando se decide mudar de residência e até mesmo quando se opta por transferi-los de uma para outra escola.

No entanto, as crianças estão atentas e percebem os acontecimentos muito mais do que possamos imaginar.

A jornalista Xiran que, apesar do regime de opressão e abandono que viveu na China, manteve um programa de rádio, em nanquim, conta uma história singular, em seu livro: As boas mulheres da China.

Havia uma jovem que se casou com um rapaz muito culto e de projeção política na china. Durante três anos, pelo seu status, ele foi estudar em Moscou.

Ela viveu anos de felicidade ao seu lado. Um casamento que foi abençoado com dois filhos. “era uma mulher de sorte”, comentava-se.

Então, exatamente no momento em que o casal se alegrava com o nascimento do segundo filho, o marido teve um ataque cardíaco e morreu, repentinamente.

No final do ano seguinte, o filho mais novo morreu de escarlatina.

Com o sofrimento causado pela morte do marido e do filho, ela perdeu a coragem de viver.

Um dia, pegou o filho que restava e seguiu para a margem do rio Yangtsé. Seu intuito era se unir ao marido e ao bebê na outra vida.

Parada à beira do rio, ela se preparava para se despedir da vida, quando o filho perguntou, inocentemente: “nós vamos ver o papai?”

Ela levou um choque. Como é que uma criança de 5 anos podia saber o que ela pretendia fazer?

E perguntou: “o que é que você acha?”

Ele respondeu: “é claro que vamos ver o papai! Mas eu não trouxe o meu carrinho de brinquedo para mostrar para ele!”

Ela começou a chorar. Nada mais perguntou. Deu-se conta de que ele sabia muito bem o que ela pretendia.

Compreendia que o pai não estava no mesmo mundo que eles, embora não fizesse uma distinção muito clara entre a vida e a morte.

As lágrimas reavivaram nela o instinto materno e o senso de dever.

Tomou o filho no colo e, deixando a correnteza do rio levar a sua fraqueza, retornou para sua casa.

A mensagem de suicida que tinha escrito foi destruída.

Enquanto fazia o caminho de volta ao lar, o menino tornou a perguntar: “e então, não vamos ver o papai?”

Procurando engolir o pranto, ela respondeu: “o papai está muito longe. Você é pequeno demais para ir até lá. A mamãe vai ajudá-lo a crescer, para que você possa levar para ele mais coisas. E coisas muito melhores.”

Depois disso, ela fez tudo o que uma mãe sozinha pode fazer para dar ao filho o melhor.

***

As crianças não são tolas. E muito mais do que possamos imaginar permanecem atentas, em especial a tudo que lhes diga respeito.

Percebem os desentendimentos conjugais, as dificuldades domésticas, a ponto de ficar enfermas.

Por tudo isso, preste mais atenção ao seu filho. E, sobretudo, fale com ele sobre dificuldades e sobre as soluções possíveis.

Não o deixe crescer ansioso e triste. Ajude-o a viver no mundo, seguro e firme.

Momento Espírita

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SERENO

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Em minha vida mil namoradas tive,
má sorte, que para a aventura vivi;
só no sonho, sonhado é que retive,
que não era sonho, o quanto perdi.

Muitas lágrimas então fiz derramar,
dessas belas moças tão carenciadas
e humildes; que quem devia chorar,
era eu, por não havê-las, mitigadas.

Ah, mas eu, queria era possuir-me,
ter o Mundo a meus pés, sem dano,
entrar no mar, e na água sentir-me,
e com ela lutar, nas ondas, lutando.

Assim pla Natureza nasceu meu ser,
falando às coisas, que, ninguém liga,
observando com mis mãos de tecer,
que, aqui, não há, nenhuma intriga.

Na casa dos «enta», mui mais nobre,
a Natureza, pregou-me uma partida;
(tudo o que desce, também o sobe);
e presenteou-me uma bela rapariga.

Ao contrário do passado que olvido,
esta linda Mulher, é o meu absinto;
embora seja abstémio, dela devido,
é minha esperança, assim pressinto.

Jorge Humberto

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SOU O OUTRO

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Eu, não sou eu,
sou o outro,
nado morto,
para as leis,
sem leis,
nem Razão,
desta
civilização.

Vago mudo,
no deserto,
tão perto
e tão longe,
de cosa alguma,
oiço o grito,
que não contém
atrito.

Doenças,
vidas,
sofismas,
perturbações
na mente
e no corpo,
o aleijadinho,
anda torto.

Não me pena,
é mais audaz
e capaz,
do que eu,
que lastimo,
este olhar,
que em mentira,
sói sonhar.

Ah, e a gente!
atrás deixou,
o que lá ficou,
e num golpe
de asa,
é sonho,
que ponho
há Sorte.

Jorge Humberto

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TENHO UMA FLOR NO CORAÇÃO

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Tenho uma flor no coração,
toda ela é feita de emoção,
para os namorados ofertar,
quando decidirem passear.

Mais ainda anchos sorrisos,
pra os que são tão precisos,
por ser a sua timidez maior,
e os faz sentirem-se menor.

Não incito o beijo de beijar,
que isso é coisa aqui a achar,
quando de mãos dadas, a rir,
cruzam olhares de querer ir.

Ir lábios nos lábios a florear
um novo jardim, um pomar,
até à consumação (a final),
comigo noutra longitudinal.

Parecem crianças a brincar,
bola de cá para lá a saltitar,
e, eu, que sou velho, tenho
rugas mas sei ao que venho.

Também eu roubei um beijo
à mi Musa e não me queixo,
o tanto que ela me ofereceu:
o que era dela a mim mo deu.

Tenho sementes aos molhos,
raízes na terra sem escolhos,
para ensinar, os mais moços,
que no fundo estão os poços.

E, a humildade, é importante,
como o respeito é significante
para que dois jovens, juntem
os trapinhos e em duo lutem.

Esta flor vos dou pois é de paz.
ao poeta não há perdão capaz,
de recuperar a sua amadíssima,
que sua Virgem, seja altíssima.

Jorge Humberto

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CORAÇÃO VADIO

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Desolado coração,
que sequer Razão
tens pra tristezas,
buscando certezas,

de versejar vadio
(lá onde está o rio,
e tu és tu sozinho,
no estro caminho),

porque teimas já,
se sempre haverá,
amor desse amor,
se teu, sem favor?

Porém, virá o dia,
onde a sã alegria,
volverá pesadelo,
a deixar de tê-lo.

Bem que mereço,
pagar eu tal preço,
se, como amada,
saudade só é nada.

O medo da doença
é falto de valença,
que espírito cobre,
a alma assim pobre.

Sem que suspeites,
o sorriso lo deiteis,
no meu são sonhar,
quando caminhar,

sem caminho certo,
nem longe ou perto,
do que reste de mim,
pois, é tudo, para ti.

Jorge Humberto

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VERSOS À LIBERDADE

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Este que vos escreve,
não é o que vos
escrevendo, deixa em
linhas, versos
dispersos,
na folha rubra,
de um Oceano
de puros sentimentos,
que, de tão puros,
temo, às vezes,
não serem entendidos.

Sou muito de mim,
penso, repenso,
o que acho que deva
escrever,
sem submeter,
a palavra
dita e escrita,
ao mínimo
que lhe é por direito,
a liberdade,
de se expressar.

Mas se o algoz vier,
inquisição,
esquinas dobradas,
mais hei-de escrever,
sem ofender,
que o pão não falte,
nem a palavra
nem o direito,
de trabalhar
com as cruas mãos,
do grito, Liberdade.

Jorge Humberto

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DILEMA DE POETA

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Eterno dilema,
escrever,
ser correspondido,
nem no cinema,
se é
tão atendido,

é poeta no céu,
com que se cobre,
na sua humildade,
sem escarcéu,
com
precariedade.

Os poetas que são
poetas,
morrem novos,
tamanha emoção,
devotados
aos “povos”.

É precária,
esta vida,
vive-se o inverso
da destinatária,
que a vida
nos teve como verso.

Porque ser poeta
é fado é dom,
a que fugir não se
pode (espoleta,
explosão),
quem sabe que?

Jorge Humberto

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SE ME VENÇO?

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Se eu me venço,
ao cansaço
que me sobrevém,
a quem pertenço,
quando
sou de ninguém?

Se nem devido
eu sou
(ingrato mundo),
ao que envido
à minha Sorte,
porque infecundo?

Não há, de haver,
um sonho,
que sonhasse,
sem nem o querer
sonhar,
que logo o negasse.

É que o vão poeta,
que há em mim,
olvidou como sonhar,
é prata, espoleta,
explosão,
pronta a deflagrar.

Não é cómodo,
além-mar,
ver o horizonte,
diria incómodo,
frágil,
regredir no monte.

Acho que adoeci:
é isso.
E me estranho.
Ou será que menti,
no verso,
que agora amanho?

Jorge Humberto

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SIGO UMA VIAGEM SEM FIM

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Sigo uma viagem sem fim
nem sequer apeadeiro –
levo na noite um luzeiro,
que mostre partes de mim.

Uma perna um farto braço,
gesticulando impropérios,
derrubando vãos impérios,
com todo o meu embaraço.

Ouço bem perto a corrente,
de um rio bêbado de força –
e olhos de vidro duma corça,
sai do mato, num repente.

Longe vaia o corrediço susto,
que apesar do sol se mostrar,
fraco, fraquinho, a motejar,
inda vai a lua – inchado busto.

Mas eis a horizonte nado sol,
a aquecer-me os esqueletos:
é que não trago documentos,
digo-o baixo, ao lento caracol.

Vagabundo não precisa! Ora!
Nem falta pesará a ninguém!
Poeta é este, aquele, alguém,
coisas banais não são demora.

Assim sigo meu caminho meio
à Natureza e às fontes frescas –
belas moças trazem suas cestas
à cabeça e vejo um fugidio seio.

E é tudo tão natural que eu me
encho de preceito e de conserto,
cala-se a voz, em lance de acerto,
deixo fluir as coisas. e se. e se.

Começo a namorar uma menina,
recito-lhe fulgurante um poema –
o que procuro não são diademas,
mas o quê desta inquietude felina.

Jorge Humberto

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A BÍBLIA E SUAS ESTÓRIAS

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Na Bíblia busquei,
o que lá busquei,
busquei factos
e eram relatos,

cheios de emoção,
falando ao coração
das pobres gentes,
vivendo carentes.

A cada decénio,
a cada milénio,
novas escrituras,
novas estruturas,

eram adicionadas
às Bíblias Sagradas.
Pelos estudiosos,
doutos Grandiosos,

com novas ideias
sobre Divinas Ceias,
ou Cristo na cruz
e o menino Jesus.

Cada um escrevia,
da noite para o dia,
reinventando tudo:
este e outro Mundo.

Tantas as versões,
são agora condições,
de Novos e Velhos,
Testamentos relhos.

No fim, para dizer,
que a Bíblia, querer
não tem nem nada:
estórias contadas:

de boca em boca
(se a gente anda louca?),
claro que sim – digo,
não contem comigo!

Jorge Humberto

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O LOUCO

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

O louco saiu à rua,
para ver, se a lua,
tinha cães a ladrar
entre escombros,
de mil assombros,
prá alvura a medrar.

Pareceu ofendido,
o louco descabido,
numa noite assim,
entre fantasmas,
e outros plasmas,
uma lua sem ter fim.

Julgando má Sorte,
ao pelo deu corte,
ficando aí careca;
e a perder a noite,
o frio como açoite,
apontou a Meca.

Rezou baixinho
(estava sozinho),
inaudíveis preces,
que, as pupilas,
ao então senti-las,
de fôlego carece.

(Um segundo louco,
passando à pouco,
sem deixar presença).
Depois de muito orar,
e, de resposta, achar,
findou sua sentença.

A lua, aziaga não é,
da janela ao rodapé,
emana seu clarão,
dando vida à semente,
e à gente diferente,
que pisa neste chão.

Jorge Humberto

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EU E MEUS OUTROS EUS

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Meus «eus», quando diversos,
de sonharem-se são dispersos,
dizem «sim» e «não» os loucos,
fúteis eruditos, como poucos.

Já que por vezes são irascíveis,
não há no mundo impossíveis,
e parto espelhos, e cinzeiros,
gatos pretos, miles reposteiros.

E este meu ser, sempre febril,
dá-se mal, com os ares de Abril,
em que o pólen serena no ar,
diria: só e só para me contrariar.

Sou um em muitos a me pensar,
duplo ser, que preferiria sonhar,
aí, debaixo dessa árvore carnuda,
e que, minha boca, fosse já muda.

Mas, que faço eu, com a poesia?
Ao poeta, sua Sorte não lhe fugia,
mesmo que quisesse outra coisa
ser, no seu dia: ele já é essa coisa.

Então retomo com os meus Entes,
todos eles em si muito diferentes,
personalidades fortes, ou frágeis,
cabe a mim moldá-los: as imagens.

Sempre um verso, que escrever,
na esperança que outros o vão ler,
e quer gostem ou não gostem nada,
deixem sinal da sua breve passada.

Não! Não me dêem vinho, a beber!
Quero estar lúcido, ao escrever!
Que do passado, que foi tão só meu,
a muitos, pai e mãe, entristeceu.

Este é o Fado de um poeta, versar
sem parar, a nos seus leitores pensar,
como se fosse para si o que rima
na folha, quando este, enfim, se atina.

Jorge Humberto

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POEMA MULHER

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Unhas rosáceas
corpo femíneo,
cativa de meus
sonhos lindos,
quando te vejo
na manhãzinha
ensolarada não
vejo nem quem
eu sou
não vejo nada,
só o teu quadril
de Mulher.

Tua pele é alva
asas no cabelo
e teus olhos,
cor do mel
(sorriso que já
perdura, inda
o instante
vem lá longe,
caminhando
meus passos
na ânsia de
chegar-me a
ti), são mares
reflectindo a
luz do sol.

Jorge Humberto

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UM JARDIM COMEMORANDO A PAZ

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Subo ao mais alto de mim,
e não gosto, do que vejo,
de um descuidado jardim,
fica-me o pensar: prevejo.

Flores que como eu, o viço
a puir, na liça com o vento,
acharam-me vão e magriço,
toquei-lhes, foi-se o alento.

Deitei mãos, à douta terra,
começando tudo de novo,
enquanto lá fora, a guerra,
levou consigo todo o povo.

Se bem pensei, melhor fiz,
e um belo jardim, jardinei,
pintando a pedaços de giz,
alegres cultivos que cultivei.

Nardos, girassóis e jasmins,
têm agora terra amanhada,
onde criar raiz – alecrins
brotarão por entre a chuvada.

E quando vierem os soldados,
das lutas, que lá batalharam,
dormirão muito sossegados,
junto às flores, que adularam.

Então serei menos exigente,
para com a minha pessoa.
serei sim alegre e contente,
que a paz vai lá fora: e ressoa.

Jorge Humberto

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FAZE OUTRO DE TI

Posted by vidapura2 em Fevereiro 27, 2011

Aqui, aonde desce até mim,
o meu eu acontecido,
não sou mais que aparecido,
do que vai de mim até mim.

Se me conheço, sou espanto,
como um rio sem ter correr.
águas paradas, do meu ser,
que no cais, deixo entretanto.

Construo barcos à semelhança
de outros barcos, na maresia –
nasce o sol ou cai o dia,
meus barcos sem esperança.

Galgar ondas, ir na espuma
do mar; ser pleno movimento,
um braço em anuimento,
baixando a mão até à escuma.

Mas irreal eu sou, proscrito!
no pensamento e na Razão.
O que verso – será emoção?
Ah!, nunca por nunca, contrito!

Em sonhos me sonhei outros
«eus», não o que vos escreve,
pareciam uma resenha breve,
e eram todos, pouco doutos.

Julguei que assim estava bem,
àquele que vos apresenta,
em cores, da cor da magenta,
e não muda a vida de ninguém.

Mas, se sou aqui, aparecido,
meu ser terá alguma nobreza
(meus pais, com certeza!),
e hei-de fiar, outro ser nascido.

Entanto vou por aí a sonhar,
enquanto a imaginação quiser –
se está guardado a quem houver
sonhar, abre-se de par em par.

Jorge Humberto

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